Canto pra tentar te esquecer, mas te esquecer não é assim tão fácil,
a melodia da música que canto é você;
o verso sai da alma ofegante, sufocada pela falta que você me faz.
Quem sabe um dia eu te encontre em outro lugar que não seja nos versos que eu fiz pra você.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Saudades!
Tenho saudades da infância, da falta de informação...
Da total dependência, segura de que alguém faria por mim.
Tenho saudades da leveza dos pensamentos, da expectativa do encontro com o amor sincero e o “felizes para sempre.”
Tenho saudades da ponta da calçada de onde eu observava o mundo que pra mim era apenas ali.
Tenho saudades das fugas escalando alguma mangueira alheia; das conversas tão desinformadas sobre sexo.
Tenho saudades do universo limitado que era minha casa... Gente demais espaço de menos; Risos, provocações, necessidades... Cada um ao seu modo levou ou foi levado pela vida; Uns amadurecendo, outros apenas crescendo, conservando a infância na alma, e os sonhos, tão almejados sonhos.
Já não observo mais o mundo da ponta da calçada; hoje sei que ele vai além, muito além. o vejo assim, imenso como ele é.
Mas estou bem certa de que a saudade, essa imensa saudade que levo comigo, jamais foi capaz de fazer nascer em mim um desejo de querer voltar... Não, de lá só tenho a nostálgica lembrança da inocência e pureza da alma do meu tempo de criança
terça-feira, 26 de abril de 2011
Lembranças...
Eu não me lembro de mãos suaves me amparando na aventura dos primeiros passos, nem me recordo de uma voz doce orientando-me nos riscos imaturos da infância... Lembro-me sim, da rispidez de seus gestos, da pesada expressão, da voz forte e repreensiva que fazia tremer meu corpo ao ouvir de longe o meu nome... Tudo isso foi antes, quando eu ainda era uma criança! Sim, eu ainda era uma criança, pois tão logo fui crescendo, provando o inevitável... Assim, te compreendi, traduzi seus gestos, cada suposto “erro” cometido em sua missão de pai.
Por isso pai, sei que seus excessos ao guiar-me pela vida, me trouxeram à compreensão de que fui amada, amparada, sustentada, desde o ato mais rude, até a última gota do seu suor, porque sei pai, que o senhor fez o melhor, e conseguiu me proteger, ensinar. E através do seu exemplo, guiar-me a maturidade suficiente pra compreender que o senhor foi o MELHOR em tudo porque deu o melhor de tudo.
Vou levar por toda vida as lembranças do seu esforço, em se dar no exercício complicado de dar carinho sem nunca ter recebido na sua própria infância.
Eu cresci e provei seu amor e foi bom aprendemos a ser filha e pai, sem mágoas, sem reservas, sem nada mais a perdoar, a não ser o fato de ter me deixado órfã nos meus 39 anos.
Pra sempre te amarei Meu pai!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Crise???
Quantos ventos, quantos janeiros, quanto tempo já ficou pra trás;
Quantos sonhos, quanto choro, quanta ilusão já deixei lá no começo da trilha.
Comecei por lá, com os anseios, as mordidas de lábio, o desejo do novo, da surpresa, do príncipe, da poesia, das coisas que não aconteceram...
Quantas manhãs, quanta chuva, quanta tempestade, quanto querer... e o espelho sempre a me dizer, “você tem muito tempo!”
E o tempo foi ficando lá, seu contexto, sua gíria, seu estilo... Os cabelos, a pele, o jeito despojado, livre, sem juízo...
Quanto tenho dentro de mim desse tempo que não volta mais?
Agora sei o que não imaginava, acredito no impensado, e sobriamente prossigo deixando coisas; A ousadia da juventude, o brilho da pele, os projetos pra idade adulta; sigo com cara de gente grande, lutando bravamente contra as nuvens escuras que querem me convencer de que naquele tempo eu era feliz e não sabia...
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