sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A saudade

A saudade é engraçada; nos cobra a ausência dos que foram levados, e também dos que nos afastamos por escolha própria... reclama os sons, o cheiro e traz à lembrança como que num filme, momentos, passagens, situações.
Ahhhh quantas saudades das vozes daqueles que amo, das manias do meu velho pai, da ingenuidade infantil da minha mãezinha!!! Saudades dos meus irmãos, dos que me amam, dos que nem tanto, e do tempo em que éramos simplesmente irmãos.
Quando a saudade vem fazer sua cobrança, não considera se recebemos na mesma medida o amor que ofertamos; não questiona se minha falta é sentida, se o silêncio da minha voz ecoa em suas casas, fazendo-os talvêz chorar baixinho por que não estou mais lá.
É mesmo estranha essa saudade, que sem questionar se lá eu faço falta, me aperta o peito, revirando meus sentimentos na vontade de poder mais uma vez ouvir a voz, ver os sorrisos, compartilhar as histórias de todos aqueles que amo e que deixei pra trás.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ontem eu sonhei com você; Sonhei um sonho atrevido, desses que a gente não conta, nem mesmo diz que teve...
Meu corpo entrelaçado ao seu, confundindo o cheiro, a respiração e o desejo; Tremia por querer-te mais. No calor dos beijos, do toque, do prazer partilhado em gemidos e olhares. Nossos corpos pressionados na dança do prazer, quase se fundindo, se perdendo pra se encontrarem num só..
Logo acordei... Ao meu lado, apenas os travesseiros e a lembrança do sonho quase real, do desejo ardente de que a noite chegue outra vez e ao invés do sonho, que ela traga você pra mim, pra nos entregarmos na loucura ardente do prazer que é a gente se querer tanto que todo tempo é pouco, pra tanto se querer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A fila anda...

Nascemos com a senha nas mãos e recebemos a ordem:
Vá para o fim da fila...
Mas isso não importa, minha posição na fila é mesmo o que menos importa;
O critério é secreto, particular e soberano.
Posso ter chegado primeiro e ir por último e quem sabe você chegou agora e logo será chamado.
Ninguém sabe, a fila anda e enquanto isso, só posso viver um dia de cada vez, sem pressa, porque com toda certeza quando chegar a hora de gritarem o meu número, ninguém poderá entrar no meu lugar...
Eu não tenho medo de amar... tenho medo é de nunca mais amar...
Meu coração sente falta, suspira, espera; Pelo amor que supere, que caminhe muitas milhas, que tolere as mudanças físicas trazidas com os anos;
Quem sabe não será amanhã, ou ainda hoje o dia de sentir tudo outra vez e pra sempre?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Canto pra tentar te esquecer, mas te esquecer não é assim tão fácil,
a melodia da música que canto é você;
o verso sai da alma ofegante, sufocada pela falta que você me faz.
Quem sabe um dia eu te encontre em outro lugar que não seja nos versos que eu fiz pra você.
É desejo não saciado essa minha inspiração;
vira poesia quando penso em você;
na falta dos gritos de prazer,
vêem os suspiros dessa vontade de você.
Vejo-te na lembrança, te sinto no silêncio, te espero em segredo...
Você invade, se mostra em meus sonhos e bem cedo se vai.
Por isso não quero acordar;
Fica comigo, mesmo que seja assim, rolando, perdida nos meus travesseiros nessa falta de você.

Saudades!

Tenho saudades da infância, da falta de informação...
Da total dependência, segura de que alguém faria por mim.
Tenho saudades da leveza dos pensamentos, da expectativa do encontro com o amor sincero e o “felizes para sempre.”
Tenho saudades da ponta da calçada de onde eu observava o mundo que pra mim era apenas ali.
Tenho saudades das fugas escalando alguma mangueira alheia; das conversas tão desinformadas sobre sexo.
Tenho saudades do universo limitado que era minha casa... Gente demais espaço de menos; Risos, provocações, necessidades... Cada um ao seu modo levou ou foi levado pela vida; Uns amadurecendo, outros apenas crescendo, conservando a infância na alma, e os sonhos, tão almejados sonhos.
Já não observo mais o mundo da ponta da calçada; hoje sei que ele vai além, muito além. o vejo assim, imenso como ele é.
Mas estou bem certa de que a saudade, essa imensa saudade que levo comigo, jamais foi capaz de fazer nascer em mim um desejo de querer voltar... Não, de lá só tenho a nostálgica lembrança da inocência e pureza da alma do meu tempo de criança

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lembranças...

Eu não me lembro de mãos suaves me amparando na aventura dos primeiros passos, nem me recordo de uma voz doce orientando-me nos riscos imaturos da infância... Lembro-me sim, da rispidez de seus gestos, da pesada expressão, da voz forte e repreensiva que fazia tremer meu corpo ao ouvir de longe o meu nome... Tudo isso foi antes, quando eu ainda era uma criança! Sim, eu ainda era uma criança, pois tão logo fui crescendo, provando o inevitável... Assim, te compreendi, traduzi seus gestos, cada suposto “erro” cometido em sua missão de pai.
Por isso pai, sei que seus excessos ao guiar-me pela vida, me trouxeram à compreensão de que fui amada, amparada, sustentada, desde o ato mais rude, até a última gota do seu suor, porque sei pai, que o senhor fez o melhor,  e conseguiu me proteger, ensinar. E através do seu exemplo, guiar-me a maturidade suficiente pra compreender que o senhor foi o MELHOR em tudo porque deu o melhor de tudo.
Vou levar por toda vida as lembranças do seu esforço, em se dar no exercício complicado de dar carinho sem nunca ter recebido na sua própria infância.
Eu cresci e provei seu amor e foi bom aprendemos a ser filha e pai, sem mágoas, sem reservas, sem nada mais a perdoar, a não ser o fato de ter me deixado órfã nos meus 39 anos.
Pra sempre te amarei Meu pai!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Crise???

Quantos ventos, quantos janeiros, quanto tempo já ficou pra trás;
Quantos sonhos, quanto choro, quanta ilusão já deixei lá no começo da trilha.
Comecei por lá, com os anseios, as mordidas de lábio, o desejo do novo, da surpresa, do príncipe, da poesia, das coisas que não aconteceram...
Quantas manhãs, quanta chuva, quanta tempestade, quanto querer... e o espelho sempre a me dizer, “você tem muito tempo!”
E o tempo foi ficando lá, seu contexto, sua gíria, seu estilo... Os cabelos, a pele, o jeito despojado, livre, sem juízo...
Quanto tenho dentro de mim desse tempo que não volta mais?
Agora sei o que não imaginava, acredito no impensado, e sobriamente prossigo deixando coisas; A ousadia da juventude, o brilho da pele, os projetos pra idade adulta; sigo com cara de gente grande, lutando bravamente contra as nuvens escuras que querem me convencer de que naquele tempo eu era feliz e não sabia...