Tenho saudades da infância, da falta de informação...
Da total dependência, segura de que alguém faria por mim.
Tenho saudades da leveza dos pensamentos, da expectativa do encontro com o amor sincero e o “felizes para sempre.”
Tenho saudades da ponta da calçada de onde eu observava o mundo que pra mim era apenas ali.
Tenho saudades das fugas escalando alguma mangueira alheia; das conversas tão desinformadas sobre sexo.
Tenho saudades do universo limitado que era minha casa... Gente demais espaço de menos; Risos, provocações, necessidades... Cada um ao seu modo levou ou foi levado pela vida; Uns amadurecendo, outros apenas crescendo, conservando a infância na alma, e os sonhos, tão almejados sonhos.
Já não observo mais o mundo da ponta da calçada; hoje sei que ele vai além, muito além. o vejo assim, imenso como ele é.
Mas estou bem certa de que a saudade, essa imensa saudade que levo comigo, jamais foi capaz de fazer nascer em mim um desejo de querer voltar... Não, de lá só tenho a nostálgica lembrança da inocência e pureza da alma do meu tempo de criança
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